Arritmias

Coração Acelerado do Nada? Vamos Falar Sobre Síndrome de WPW

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Coração Acelerado do Nada? Vamos Falar Sobre Síndrome de WPW
Dr. Pedro Felipe Prates Silva

Dr. Pedro Felipe Prates Silva

Cardiologia e Eletrofisiologia Clínica e InvasivaCRM DF 18951 / RQE 16475 · RQE 16476

Cardiologista e Arritmologista em Brasília. Aqui respondo, com clareza, as dúvidas do dia a dia que mais ouço no consultório sobre arritmias e saúde do coração.

Você já sentiu o coração disparar do nada, sem esforço físico, sem susto, sem motivo aparente? Para algumas pessoas, esse tipo de episódio tem uma explicação elétrica bem definida: a síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW).

Neste artigo, você vai entender o que é essa condição, por que ela acontece, quais sintomas costuma causar e, principalmente, quando vale a pena procurar um cardiologista para investigar.

O que é a síndrome de WPW

O coração normalmente conduz seus impulsos elétricos por um caminho único, que passa por uma espécie de "portão" chamado nó atrioventricular (AV). Esse portão controla a velocidade com que o sinal elétrico passa dos átrios (câmaras superiores) para os ventrículos (câmaras inferiores).

Na síndrome de WPW, existe um feixe elétrico extra — chamado via acessória ou feixe de Kent — que liga diretamente os átrios aos ventrículos, "furando" esse controle natural. Esse atalho pode fazer o impulso elétrico circular em loop, gerando episódios de taquicardia (batimentos muito acelerados).

Por que essa via elétrica extra existe

A via acessória é uma característica congênita, ou seja, a pessoa já nasce com ela, formada ainda durante o desenvolvimento do coração no período fetal. Não é algo que se desenvolve por hábitos de vida, idade ou desgaste do coração.

Por isso, os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer fase da vida — na infância, na adolescência ou já na vida adulta — e às vezes a condição é descoberta por acaso, em um exame de rotina.

Quais sintomas a síndrome de WPW pode causar

Nem toda pessoa com a via acessória tem sintomas. Quando eles aparecem, os mais comuns são:

  • Palpitações súbitas, com início e fim abruptos
  • Sensação de coração "disparado" ou "batendo forte"
  • Tontura ou sensação de cabeça leve
  • Falta de ar durante os episódios
  • Desconforto no peito
  • Em casos mais raros, desmaio (síncope)

Esses episódios costumam durar de alguns minutos a algumas horas e podem terminar espontaneamente ou precisar de manobras e medicação para reverter.

Como o diagnóstico é feito

O primeiro passo é o eletrocardiograma (ECG), exame simples que registra a atividade elétrica do coração. Em muitos casos, a via acessória deixa um sinal característico no traçado, chamado onda delta, que já levanta a suspeita mesmo sem o paciente estar em crise.

Dependendo do caso, o cardiologista pode solicitar exames complementares, como:

  • Holter de 24 horas, para capturar episódios que vão e vêm
  • Ecocardiograma, para avaliar a estrutura do coração
  • Estudo eletrofisiológico, exame mais detalhado que mapeia o comportamento da via acessória

WPW é perigoso?

A grande maioria das pessoas com síndrome de WPW leva vida normal, com episódios incômodos, mas não graves. Ainda assim, existe um subgrupo de pacientes em que a via acessória tem características que aumentam o risco de arritmias mais sérias, especialmente quando associada à fibrilação atrial (um tipo de arritmia irregular e desorganizada).

Por isso, mesmo quando os sintomas parecem leves, a avaliação médica é importante: ela ajuda a identificar quem tem um perfil de baixo risco e quem se beneficia de tratamento mais específico.

Quais são as opções de tratamento

O tratamento é individualizado e depende da frequência dos sintomas, do risco identificado nos exames e da preferência do paciente. As principais opções incluem:

  • Observação clínica, para casos assintomáticos e de baixo risco
  • Manobras vagais, técnicas simples para interromper crises leves
  • Medicações antiarrítmicas, para reduzir a frequência dos episódios
  • Ablação por cateter, procedimento minimamente invasivo que elimina a via acessória de forma definitiva na maioria dos casos

A ablação costuma ser considerada o tratamento mais eficaz para quem tem sintomas recorrentes ou fatores de risco identificados, já que trata a causa elétrica diretamente.

Perguntas frequentes sobre síndrome de WPW

Toda pessoa com WPW precisa de tratamento?

Não necessariamente. Pacientes sem sintomas e com perfil de baixo risco nos exames podem apenas ser acompanhados. A decisão sempre é individualizada.

A síndrome de WPW pode ser curada?

Em muitos casos, a ablação por cateter elimina a via acessória de forma definitiva. Os resultados variam conforme a localização e as características de cada via, e isso deve ser discutido com o cardiologista responsável.

Crianças podem ter síndrome de WPW?

Sim. Por ser uma condição congênita, os sintomas podem surgir desde a infância. Palpitações recorrentes em crianças merecem avaliação cardiológica.

Praticar exercícios é seguro para quem tem WPW?

Depende do perfil de risco de cada pessoa, definido após avaliação médica e, muitas vezes, estudo eletrofisiológico. Essa liberação deve ser individualizada.

Quando procurar avaliação

Vale marcar uma consulta cardiológica se você já teve:

  • Episódios de palpitações súbitas e intensas
  • Sensação de coração acelerado sem causa aparente
  • Tontura, falta de ar ou desmaio associados a esses episódios
  • Um ECG de rotina com alteração sugestiva de via acessória

Procure atendimento de emergência imediatamente se sentir dor no peito intensa, falta de ar grave ou desmaiar durante um episódio de palpitação.

Conclusão

A síndrome de WPW é uma condição elétrica do coração que, na maioria das vezes, tem bom prognóstico quando bem diagnosticada e acompanhada. O primeiro passo é simples: um eletrocardiograma e uma conversa com um cardiologista especializado em arritmias.

Se você tem sintomas sugestivos ou já recebeu esse diagnóstico e quer entender melhor suas opções, agende uma consulta ou solicite uma segunda opinião especializada.

Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. A indicação de qualquer conduta deve ser individualizada por um médico. Em caso de dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou sinais de AVC, procure atendimento de emergência.

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